segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ciganos parte III



Nascimento e Morte no Povo Cigano.


O povo Cigano tem um grande respeito pela vida, seja ela, animal, vegetal ou
humana, os animais que eles matam são apenas para seu consumo e para matar a
fome do clã, o povo cigano não mata por esporte, nem animal nem planta, vivem em
profunda harmonia com a natureza, tirando dela apenas o necessário para suas
provisões, logo não é de se admirar que o nascimento de uma criança cigana é
motivo de grande mas grande festa mesmo se estendo por 02 ou 03 dias.

Cada criança cigana que nasce é uma esperança na continuidade da cultura desse
povo maravilhoso, as crianças são consideradas por eles como um ser especial que
vem trazendo uma mensagem de esperança e acima de tudo de continuidade do clã.
Se for o primogênito do casal representa a inauguração de uma nova família, e
também o jovem pai ganha prestígio, autoridade e responsabilidade iguais a dos
mais velhos, a mulher também se beneficia com a maternidade, já que deixa de ser
bori (nora) para virar mãe, isso dá muito mais autoridade a cigana, que antes
tinha que se sujeitar a sogra..

Essa criança poderá ser batizada em uma ou mais religiões, o povo cigano faz
questão do batismo as vezes em várias religiões pois acreditam que isso trará
sorte para a criança, no decorrer de sua vida, porém um dos rituais mais
importantes e que é feito apenas a moda cigana é o ritual do nome da criança,
sua realização começa no momento da primeira mamada, quando a mãe fala em seu
ouvido de forma que apenas a criança escute o seu nome secreto, que ninguém mais
conhecerá e que a criança só ficará sabendo no dia do seu próprio casamento,
mais tarde, nos festejos, a criança receberá um segundo nome, este para ser
usado e conhecido no clã e finalmente, terá também um terceiro nome, este para
ser usado apenas no mundo dos gadjós.

Assim começara a ser forjada a identidade cigana dessa criança, seu primeiro
mistério e a relação diferenciada com o mundo dos não-ciganos.

Na maioria dos clãs, logo que a mulher está para dar a luz, trazem as vezes 03
parentas chegadas que a acompanham até o nascimento da criança (chinorré), do
lado de fora do local do parto, os visitante rezam cantos sagrados a Duvvel,
para suavizar o sofrimento da mãe

dar proteção à criança que está para vir ao
mundo.


No pescoço da mãe pendura-se patuás, figas e talismãs milagrosos, sem se
esquecer das rezas que estão sendo feitas pelas 03 parentas, o rosto da mãe é
soprado, pois não podemos esquecer que o sopro exerce um ritual mágico e
religioso, o homem foi criado pelo sopro de Deus, a vida se mantém pelo sopro e
com ele vai embora (ultimo suspiro), se você reparar no batismo católico o padre
sopra o rosto da criança no ritual de batismo, resumindo todos os cuidados eram
tomados de forma que a mãe não morresse no parto, pois este evento para os
ciganos e tido como a maior desgraça!

Nascida à criança, era avisado imediatamente às pessoas que estavam do lado de
fora, "chegou ao mundo dos vivos um menino (a), e todos cantavam agradecendo a
graça, em alguns clãs a criança é lavada com água e vinho em uma bacia de prata,
dentro dessa bacia eram também colocados colares e moedas de ouro, flores,
ervas, frutas e madeiras aromáticas para que a criança tenha assegurada sua boa
sorte, prosperidade e saúde, depois disso feito do corte do cordão umbilical, a
criança linda, embrulhada em linho branco bordada, perfumada e devidamente
defumada com alfazema, o pai pega a criança no colo da-lhe um beijo, a mãe era
preparada para as visitas, recebia os presentes em nome do recém-nascido. Ouro e
objetos muito valiosos eram vendidos para ajudar na compra do enxoval.


A alguns clã ciganos da Europa que fazem fogo na entrada de sua casa ou tenda
(uma criança nascida em acampamento cigano nasce numa tenda e nunca numa carroça
essa tenda é chamada de "o bender" ) o fogo serve para afastar os maus
espíritos, de quem os ciganos escondem o verdadeiro nome da criança. Depois a
criança é apresentada para a lua por uma shuvani (feiticeira) ou pela Baba
(mulher mais velha) do clã, ela balança a criança mostrando para a lua e implora
a mesma mais ou menos com os seguintes versos " Lua Luar, tome esse filho e me
ajude a criar, ou podemos ainda dizer Lua, Lua, leva esta criança para andar e
criar e após criada torne a me dar (este costume de apresentar a criança a lua,
tem registro no Brasil e em Portugal, a Lua Cheia é considerada a madrinha das
crianças, como também tal tradição se registra nos clãs mamuches, matchuaias e
Kalóns que vivem no interior do Brasil).

Às vezes no batismo a criança era totalmente imersa na água, outras vezes se
derrama a água sobre o corpo da criança, esta água ficará em um cântaro e, antes
de banhar o bebê deverá ser passada pela lâmina de uma faca ou punhal bem
afiado, porque, se acredita que a força do punhal será passada para a criança
dando-lhe proteção, a água deverá ser fria e colhida de um riacho ou cachoeira.

Além desse ritual que é feito pelos pais e comemorado pelos avós da criança, os
ciganos costumam consagrar o bebê a um santo protetor e no dia de seu
aniversário (slava) este santo protetor também será reverenciado no dia anual do
santo protetor.

Devido ao modo de vida sedentário que hoje temos no mundo, e pelo próprio
desenvolvimento globalizado do mundo, essas tradições estão ficando cada vez
mais perdida nas brumas do tempo, porém com certeza ainda até nos dias de hoje
existem ciganos que cumprem sua tradição e seus costumes religiosamente.

A MORTE


Os ciganos da Europa acreditam que quando se ouve um pio de coruja distante é
sinal que uma pessoa muito próxima a nós irá morrer, porém se o pio da coruja é
alto e forte, uma pessoa distante passará entre os mundos dos vivos e dos
mortos.

Quando uma pessoa anciã do clã esta doente e sua morte foi prevista, é avisado a
todos os seus parentes de longe e de perto não importa onde esteja, a vida,
doença e morte do ancião é prioridade sobre todos os outros assuntos.

Várias providências serão tomadas em favor do doente: o doente nunca ficará
sozinho, até o seu último suspiro. Este momento é de muita união dentro do clã,
mas é um momento que se manifesta muito pouca emoção, em relação ao doente.

Quando o doente morre os ciganos acreditam que seu espírito ficará entre o mundo
dos vivos e dos mortos até que seja feito o enterro, eles acreditam que tem que
se facilitar a passagem do doente para o mundo dos mortos, e, para isso é
chamado um Kaku (feiticeiro) e uma shuvani (feiticeira), esse ritual é feito no
silêncio das florestas e próximo a água corrente, sem que ninguém do clã saiba.

Uma pequena fogueira é acesa, bem distante do fogo da cozinha logo que a pessoa
morre, o fogo deverá ser feito de uma forma que não se apague, coloca-se em suas
chamas, tomilho, sálvia, alecrin e eucalipto, porém deve seguir essa ordem o
nome do morto deverá ser repetido 09 vezes enquanto o Kako ou a Shuvani dá sete
voltas em sentido anti-horário em torno da fogueira, depois o fogo deve se
apagar sozinho e lentamente.

Feito o enterro, todo mundo participa dos rituais da pomana (feito após a morte
e enterro) este ritual é em homenagem ao morto, nesse ritual todas as comidas
prediletas do falecido será servido de forma cuidadosamente preparada e decorada
para tal evento, e o lugar do morto a mesa estará assegurado, a partir desse
momento o morto será lembrado, e sua memória reverenciada por todos, afinal eles
acreditam que o espírito do morto esteja protegendo o clã, sendo ele mais um
mensageiro entre o clã e Duvvel. (Eles acreditam que a pessoa continua rodeando e amparando os que deixaram no mundo dos vivos e todos os pertences do falecido devem ir junto com ele.)

OS IDOSOS


Quanto mais velhos o cigano, mais respeito ele tem junto ao seu povo. Eles atuam como consultores e magistrados nos tribunais ciganos. São sempre procurados para resolver questões e situações difíceis, sendo seus conselhos acatados como lei. Os idosos devem sempre ter lugar de destaque nas festas, e os mais jovens precisam sempre beijar-lhes as mãos em sinal de respeito.

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